Quinta-feira, Abril 3, 2025
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Bomba: PF Intercepta ligação de Salazar com milicianos matadores: “Dava pra eu baixar o vidro e sentar o dedo neles”; ouça áudio

Manaus – Uma gravação telefônica obtida durante a Operação Alcateia da Polícia Federal revelou uma conversa polêmica envolvendo o então policial militar e atual vereador Alexandre da Silva Salazar, mais conhecido como Sargento Salazar. No diálogo interceptado, registrado no relatório da PF e captado com autorização judicial, Salazar descreve como seguiu dois suspeitos de um assalto e teve oportunidade de matá-los, mas desistiu por temer as consequências legais dentro da Polícia Militar.

Ouça ao áudio:

A interceptação ocorreu em setembro de 2015, mas só agora veio a público como parte do processo da Operação Alcateia, que investiga a existência de um suposto grupo de extermínio formado por policiais militares no Amazonas. No áudio, Salazar conversa com um interlocutor identificado como Diniz e expressa frustração por não ter executado os suspeitos:

“Os caras estavam na minha mão, Diniz. Dava pra eu ter matado os dois (…) dava pra eu baixar o vidro e sentar-lhe o dedo neles.

” Durante o relato, ele menciona a repercussão negativa de uma morte anterior, sugerindo pressão sobre a cúpula da Polícia Militar devido à execução de outro assaltante:

“Eu fui lá com o Comandante-Geral ontem… com a Major Romero… querem o nosso fígado lá, bicho, por causa da morte daquele assaltante lá…”

Para o promotor Flávio Mota, a conversa sugere familiaridade com execuções extrajudiciais e pode ser um indício de que Salazar tinha conhecimento ou proximidade com as ações atribuídas ao grupo investigado. “A naturalidade com que a hipótese de homicídio é tratada revela um ambiente em que esse tipo de prática era discutida informalmente entre policiais, fora dos parâmetros legais”, avaliou o promotor.

Operação Alcateia

Deflagrada em 2015, a Operação Alcateia teve como foco a desarticulação de um esquema de execuções sumárias conduzidas por policiais em Manaus. Diversos policiais militares foram denunciados e seguem sendo julgados pelo Tribunal do Júri. Embora algumas absolvições tenham ocorrido nos primeiros julgamentos, o caso ainda mobiliza entidades de direitos humanos e familiares de vítimas, que cobram justiça e responsabilização dos envolvidos.

Ainda nesta quarta-feira (2/4), a Justiça do Amazonas dará continuidade aos julgamentos de novos réus apontados como integrantes do grupo. O CM7 segue acompanhando o desenrolar das investigações e atualizações sobre o caso.

Com Informações CM7

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