As escolas municipais de Porto Velho estão sofrendo com a falta de gêneros alimentícios para produção da merenda escolar. Itens básicos como arroz e açúcar já não existem mais nas despensas de muitas unidades educacionais e os diretores estão adaptando o cardápio, definido por nutricionistas, para que as crianças não fiquem com fome.
Informações e prints de conversas obtidas pelo Rondoniagora durante a manifestação dos profissionais da educação em frente ao Prédio do relógio, nesta quinta-feira (27), revelam a gravidade da falta de gestão da Semed e secretarias estruturantes responsáveis pelas aquisições. “Liberei as crianças mais cedo 2 x essa semana. Pq não tinha. Aí liberaram a compra por cotação para 15 dias. Mas, não tem ata, não tem dinheiro, não tem previsão”, diz uma diretora de escola em conversa em grupo de WhatsApp.
Em outro print, diretores revelam que estão tirando dinheiro do próprio salário para complementar a alimentação das crianças. “Eu não compro mais. Já gastei o que tinha e o que não tinha. Quando acabar o arroz, macarrão e o cuscuz, vai ser só peixe, açaí, frutas e ovo”, diz outra diretora que, logo em seguida, recebe sugestão de outra educadora que diz: “Sem açúcar, o açaí vai todo pro lixo. Eles (os alunos) não gostam”.

No grupo dos educadores um personagem chama a atenção. Trata-se de uma mulher que se coloca como responsável pela alimentação. Ela revela que o “Tribunal” (provavelmente Tribunal de Contas) está indo nas escolas e manda os diretores dizerem que estão trabalhando com agricultura familiar. “Entendo muito o lado de vocês. Graças a Deus temos a agricultura familiar e podem ter certeza que será apurado quem deu causa a isso”, diz a mulher, cujo nome será preservado pelo jornal.

DORMINDO NO PONTO
A atual gestão ainda não conseguiu realizar licitação para formulação de Ata de Registro de Preços para compra dos produtos da merenda escolar. O pedido de implantação da nova ata foi protocolado na Superintendência de gastos públicos em 30 de julho de 2024. De acordo com Ofício Interno do Gabinete da Semed (Ofício nº 063/2025/GAB/SEMED) “o processo está na Superintendência Municipal de Licitações – SML, em fase de procedimentos licitatórios, sem previsão de conclusão”.


Passados três meses da atual gestão, sem a nova Ata de Registro de Preços, a Semed optou por uma “pedalada” de emergência. “Diante desse cenário e visando evitar prejuízos ao cumprimento do Calendário Escolar de 2025 em escolas da área urbana, torna-se imprescindível a contratação mencionada, em caráter de URGÊNCIA, custeada integralmente com os recursos oriundos do Programa Municipal de Alimentação Escolar – PMAE, em caráter emergencial e provisório”, diz o ofício assinado pelo secretário municipal da Educação, Leonardo Pereira Leocádio.

SOLUÇÃO: LANCHEIRAS
Se por um lado a licitação dos produtos da merenda escolar caminha a passos de tartaruga, por outro, um processo de adesão de Ata de Registro de Preço para compra de R$ 2 milhões em lancheiras já chegou na Procuradoria Geral do Município (PGM).
Por Rondoniaagora