FAVELÃO CENTRAL: Avenida 7 de Setembro parou no tempo e precisa de revitalização para não morrer

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Uma via comercial com seus prédios altos, imponentes e modernos, lojas com fachadas bem projetadas, vitrines bem elaboradas, calçadas limpas, placas e outdoors chamativos, lanchonetes higienizadas, estacionamento organizado. A avenida Sete de Setembro, coração do comércio de Porto Velho, capital de Rondônia é tudo ao contrário disso.

Com a sua maioria de edificações datadas das décadas de 70 e 80 e que há muito tempo não passam por uma reforma ou modernização, a avenida Sete de Setembro vem agonizando seus piores momentos. Sem nenhum atrativo, sem estacionamento rotativo, com as calçadas todas esburacadas, desniveladas e sem nenhum tipo de padrão, a via que sempre foi referência comercial, hoje sobrevive de poucos gatos pingados que se aventuram para prestigiar os comerciantes que ainda se mantém.

Mesmo antes da pandemia do Covid-19 começar, já se observava uma grande redução no número de clientes nas lojas da região central. Uns atribuem esse esvaziamento da clientela ao shopping, outros a falta de estacionamento, mas a verdade é que um conjunto de situações está tornando a avenida sete de setembro desprestigiada. A principal delas é a falta de investimento imobiliário.

Os proprietários dos imóveis que compõe a avenida geralmente não são os donos das lojas e parecem não estar nem aí para o que vem acontecendo, preocupando-se apenas com o recebimento dos aluguéis, deixando os cuidados pela manutenção com os próprios lojistas, que por não serem muito afeitos a modernidade, ou por não terem recursos suficientes, não investem nem na fachada de seus comércios, quanto mais com a estrutura física.

Mas o problema da Avenida Sete de Setembro vai muito além da falta de preocupação dos donos dos imóveis ou da falta de visão dos comerciantes locais. O problema daquela via onde o comércio portovelhense começou, também é governamental.

A Prefeitura de Porto Velho não possui um código de postura atual e eficiente. Não há regras a serem seguidas, não há uma orientação sobre calcadas, fachadas ou estacionamento, não há um controle imobiliário, não há sequer uma fiscalização, não há preocupação do poder público com o chamado comércio de rua da capital. Nem na sete e nem em qualquer outro lugar como a Jatuarana, na zona Sul, ou a Amador dos Reis, na Zona Leste

As sobressaltadas calçadas da Sete amanhecem todos os dias tomadas por pessoas em situação de rua. As lojas são frequentemente arrombadas, vitrines quebradas, paredes destruídas. O cheiro de urina e de merda toma conta das portas das lojas. Onde há uma marquise tem gente dormindo debaixo, sem a mínima preocupação do poder público.

A querida Sete se transformou em um verdadeiro favelão em pleno centro da cidade. Sem apoio, sem incentivo, sem orientação, sem manutenção dos prédios, sem nenhuma iniciativa pela revitalização, os lojistas sucumbem. As lojas grandes e que eram referências que ainda não fecharam, hoje se resumem a uma portinhola e dois ou três vendedores que tentam laçar os poucos clientes que se aventuram pelos desníveis das calçadas, que já provocaram diversos acidentes.

A avenida Sete de Setembro precisa ser repensada. O poder público e a iniciativa privada precisam urgentemente traçar um plano de recuperação para o comércio local, sob pena dos poucos empregos que ainda se mantém na Sete se transformarem em desempregos ou em trabalho informal. A Avenida Sete de Setembro pede socorro. É preciso desmontar o favelão e pensar em numa via atrativa, tantos para clientes como para investidores. Do jeito que está, a velha Sete não resistirá.

Jocenir Sérgio Santanna – Jornalista – DRT 001742