Trama contra ex-governador Daniel Pereira pode ter motivação política para minar seu crescimento

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Há suspeitas de que se tivesse disputado a reeleição em 2018, Daniel Pereira poderia ter tido seu nome envolvido já na primeira fase da operação, deflagrada uma semana depois das eleições de 2018. Como não disputou, foi atingido injustamente quatro meses depois de deixar o cargo de chefe do executivo estadual.

 

Por: Jocenir Santanna

A Segunda fase da Operação Pau Oco, capitaneada pela Polícia Civil, através da Draco, com apoio do Ministério Público, realizada em abril deste ano, que culminou em prisões e na que se revela agora como desmotivada busca e apreensão na casa do ex-governador do Estado Daniel Pereira pode ter sido arquitetada para minar o campo político do ex-chefe do executivo estadual.

Desde quando assumiu como vice-governador na chapa de Confúcio Moura, Daniel Pereira se mostrou bastante atuante. Destoando da máxima de que vice não faz nada e só espera o salário cair na conta no final do mês, Daniel encampou um trabalho já nos primeiros dias do governo que era o de vender a imagem do estado de Rondônia em todo o Brasil e no exterior, oportunizando negócios e atraindo investidores para o estado.

Daniel Pereira foi um dos criadores da Rondônia Rural Show, que se mostra a maior feira do agronegócio do Norte do país e uma das maiores do Brasil, onde atraiu investidores de países da América do Sul e até de outros continentes, mostrando o potencial econômico e produtivo do estado.

Confúcio Moura e Daniel Pereira foram eleitos em 2014 e tomaram posse em 2015 no Governo do Estado

Não é novidade pra ninguém que o crescimento político e a alta visibilidade conquistada por Daniel Pereira tanto como vice-governador quanto como governador, já que assumiu o comando do Estado em abril de 2018 com o desligamento do titular, Confúcio Moura que disputaria e venceria a eleição para o Senado da República.

Este crescimento estaria qualificando Daniel Pereira para a disputa da reeleição ao governo do estado e isso teria incomodado algumas das lideranças políticas da época, pois seria uma grande ameaça ao planos de determinados grupos que queriam o poder a qualquer custo e esse qualquer custo, geralmente passa pela desmoralização dos seus adversários.

Como resolveu não disputar a reeleição, Daniel Pereira, mesmo sem dever nada, o que está sendo comprovado com as revelações de áudio atribuídas a um delegado que fez parte da operação, teria sido poupado da primeira fase da Pau Oco, deflagrada no dia 07 de novembro de 2018, exatamente uma semana depois do segundo turno das eleições estaduais, onde foram cumpridos seis (06) mandados de prisão temporária, dez (10) mandados de afastamento da função pública e 15 (quinze) mandados de busca e apreensão. Equipes cumpriram busca inclusive em prédios do CPA, onde se localiza a SEDAM. As ordens judiciais foram emitidas por Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. Talvez se tivesse sido candidato, a operação teria sido deflagrada antes, durante a campanha o seu nome poderia estar envolvido, como esteve depois.

VEJA A ENTREVISTA COLETIVA NA PRIMEIRA FASE DA OPERAÇÃO:

Mesmo não disputando a reeleição, Daniel Pereira encerrou seu governo do dia 31 de dezembro de 2018 e se manteve em alta na política e nas relações com lideranças, tanto que assumiu logo em seguida a Superintendência Regional do Sebrae, uma das funções mais desejadas fora da política estadual.

Com o nome em destaque e qualificado para disputar qualquer cargo eletivo, como o de prefeito da capital, por exemplo, Daniel Pereira pode ter permanecido da mira de seus opositores e em abril de 2019 teve seu nome envolvido numa trama policial, que acabou enganando um desembargador do estado e que atinge ainda o presidente do Tribunal de Justiça, o antigo e o atual diretores da Polícia Civil, o atual presidente da Assembleia Legislativa e outras lideranças estaduais, o que certamente causará grande prejuízo à imagem da instituição e colocará por terra todo o trabalho desenvolvido pela Operação Pau Oco, de combate a crimes ambientais.

VEJA ENTREVISTA DO VICE-GOVERNADOR SOBRE A OPERAÇÃO ILEGAL EM SUA CASA

Em entrevista depois da revelação dos áudios o ex-governador se mostrou perplexo pela trama feita para envolver seu nome em crimes que não participou e sequer tinha conhecimento e destacou que vai cobrar das autoridades os verdadeiros motivos de ter seu nome envolvido, inclusive em uma busca e apreensão na sua casa, de onde levaram documentos, celulares e computadores.

Daniel Pereira é um líder nato. É servidor público federal, advogado, líder sindical, foi deputado, vice-governador e governador, e nesta trajetória nunca teve nada que desabonasse a sua conduta de homem probo. A segunda fase da Operação Pau Oco tentou fazer isso através de relatório falso que engrupiu até o desembargador que assinou a autorização para as buscas e que certamente, também não tem nada a ver com o assunto, pois é tão vítima quanto os demais. Cabe as autoridades, agora, desvendar o que realmente aconteceu, qual o motivo de envolver o ex-governador na trama, qual a acusação contra o presidente do Tribunal de Justiça e a quem interessava a decapitação política de Daniel Pereira, pois por óbvio, isso não se tratou apenas de uma erro, mas sim de uma trama.