Livros apoiados pela Fapero destacam produtos básicos para a indústria e desnudam a geografia humana em Rondônia

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Primeira produção aprovada explica aspectos rondonienses até então desconhecidos

Sete livros recém-lançados oferecem ao público melhor compreensão a respeito de Rondônia e suas riquezas florestais, étnicas e humanas.

São publicações com a chancela da  Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Publicações Científicas (PAP).

O PAP contempla publicações inseridas em chamada universal, destinada à pesquisa de mestres e doutores em diferentes áreas.

“Essa produção na forma de livros demonstrou o quanto nós temos engavetado nas instituições  de Ensino Superior em Rondônia, e que ainda não foi publicado por falta de recursos”, disse hoje (29) o diretor científico da  Fapero, Andreimar Soares.

Os livros aprovados por critérios rigorosamente aplicados pela Fapero foram editados pela CRV, Edufro , Paco Editorial, Temática, em Porto Velho. Pesquisadores decidirão se essas publicações sairão também no ebook (livro digital).

“A partir de algumas consultas bibliográficas percebi o quanto se faz necessário publicar estudos de cidades e sub-regiões amazônicas que experimentam enormes transformações socioespaciais, a exemplo de Porto Velho”, escreveu o professor francês Hervé Théry,  na quarta capa do livro de Ricardo Gilson da Costa e Silva.

“Posso dizer que conheço 42% do seu tempo de existência”, ele diz. Hervé é diretor emérito do Centro de Pesquisa e de Documentação das Américas no Instituto de Estudos Avançados da América Latina da Universidade Sorbonne, em Paris, e professor no Programa de Pós-Graduação de Geografia Humana na Universidade de São Paulo (USP).

Hervé veio pela primeira vez a Rondônia em 1974, quando se dedicou a estudos da problemática fundiária na região de Ji-Paraná.

O livro do professor visitante sênior da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT),  José Manoel Carvalho Marta, tem um capítulo a respeito da coleta e usinagem de produtos extraídos da floresta.

Esses produtos são transformados em matéria-prima destinada à fabricação de móveis, à indústria naval, à indústria da construção civil, óleos, sabões, sabonetes e fármacos. Entre eles, os óleos de andiroba, copaíba, poaia (ipecacuanha) e o látex usado para pneumáticos.

No posfácio do livro Porto Velho – Cultura, Natureza e Território, o professor Martin Coy, do Instituto de Geografia da Universidade de Innsbruck, na Áustria, fala das transformações desta Capital que antes fora “a central de decisão, longe das regiões de colonização, uma cidade das instituições, de funcionários, das missões internacionais, que, às vezes, nem saíam da Capital do Estado para conhecer a realidade nas áreas de ocupação recente”.

“Nesse sentido, ele diz, Porto Velho , ao menos visto das regiões pulsatórias do interior rondoniense, era uma ‘ilha’, uma cidade com história, ligada à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e, assim, às fases extrativistas da Amazônia, a cidade das elites políticas tradicionais, onde ainda era possível fazer, aos fins de semana, aquela excursão com o trem para a Cachoeira de Santo Antônio. Tempos passados!”, ele assinala.

E analisa: “Hoje a situação é outra: as mudanças tomaram conta de Porto Velho, não somente da cidade, como também dos seus entornos. Por um lado, os ‘excedentes’ populacionais das frentes pioneiras – ou melhor: os expropriados e expulsos em decorrência das transformações socioambientais já chegaram, faz tempo, nas partes setentrionais do estado. Por outro, o ‘desenvolvimento’ sob a forma de megaempreendimentos das grandes hidrelétricas Jirau e Santo Antônio transformou a região e a cidade com todas as consequências contraditórias, como mostram algumas contribuições desta coletânea”.

Mais seis livros serão editados e publicados até o início do segundo semestre de 2019. Entre os novos está Os desafios socioambientais das sociedades de consumo internacional e tecnológica, da professora Márcia Abib Hecktheuer, da Faculdade Católica, única particular entre as instituições contempladas.

Diretor científico Andreimar Soares: instituições têm produção ainda engavetada

OS LIVROS

Biblioteca Escolar: Memórias práticas e desafios, de Jussara Santos Pimenta, Hélder Henriques, Márcio Ferreira da Silva, Marcos Leandro Freitas Hübner (organizadores).

Revisitando o jornal Alto Madeira – Narrativas sobre a cidade, de autoria de docentes e discentes da UNIR e do Ifro. 

Porto Velho – Cultura, Natureza e Território, de Ricardo Gilson da Costa Silva.

Porto Velho – Urbanização e desafios para uma cidade centenária, de Ricardo Gilson da Costa e Silva.

Representações e marcadores territoriais dos povos indígenas do Corredor Etnoamnbiental Tupi Mondé, de Admilson de Almeida Silva, com participação de indígenas.

Rio Madeira – seus peixes e sua pesca, de Carolina Rodrigues da Costa Doria e Maria Alice Leite Lima (organizadora).

Rondônia: da colonização à integração Latino Americana, de Márcia Abib Heck, Carolina Rodrigues da Costa Doria e Maria Alice Leite Lima (organizadora).

Secom – Governo de Rondônia